quarta-feira, 30 de maio de 2012

Música da Semana: Deus da Minha Vida (Gio e Álvaro)

Não surge uma raivinha no fundo do fígado quando você está procurando uma música no youtube e o único vídeo que você encontra é de um adolescente cantando e tocando violão com o áudio do CD ao fundo? Por essas e outras tenho o maior preconceito com covers de todo tipo. Não, eu não vou ouvir a fulaninha cantando com o fulaninho, mas não vou mesmo.

Só porque eu vivo pra me contradizer, esses dias minha dupla vocal me mandou um vídeo dessa outra dupra cantando uma música da Nívea Soares. Pra quem não gosta de covers, nem de Nívea Soares, pra que eu fui ouvir? Ouvi por consideração à pessoa que mandou o vídeo e depois ouvi outro, e outro, e outro. Só tem cover no canal deles, mas isso não é nada pra uma doutora em pagação de língua, né?

Falando em coisas que eu não gosto, passamos às coisas que eu gosto: eu gosto de voz e violão. Assim, sem mais nada. A voz pura e o violão bem tocado. Eu gosto de contralto, por razões muito lógicas. Eu sou um contralto oprimido nesse mundo de sopranos agudíssimos onde os contraltos só aparecem para fazer a segunda voz. O óbvio: eu gosto de vídeo com qualidade. Quem aguenta vídeo com áudio desregulado, que primeiro faz você colocar o volume no máximo e depois explode seu cérebro numa surpresa fatal?

A música escolhida é a minha preferida deles porque as outras são enjoadinhas (Me aaaaama, eeeeeeeeele me aaaaaaama...; Se eu apenas te tocar um milagre viverei em minha vidaaaaaa [325]; mais Nívea e Heloisa Rosa. Yes, but no). Essa tem um ritmo legal, com refrão chiclete. Também me parece que essa música explorou melhor a voz linda dessa moça. Não conheço o original, e se ouvi cinco vezes esse Thales Alberto Roberto, foi muito, então nem vou fazer comparações. Só sei que essa versão deles ficou ótima.


sábado, 26 de maio de 2012

Desafio Literário: O Homem que Matou Getúlio Vargas (Jô Soares)

O Felipe tem razão. Minha biblioteca é muito séria. (Seria muita gabolice eu dizer que sou culta, né? Mas séria pode). Eu tenho, aproximadamente, uns sessenta livros. Quase a metade são livros de Direito. Quase a outra metade é literatura estrangeira. No meio temos alguns livros religiosos, um livro de moda, alguns sobre linguística. Até onde me lembro, só tem um de literatura brasileira. E, em toda a minha biblioteca, apenas um chick-lit.

Estava eu em um dia chato, depois de aulas chatas, almoço no restaurante universitário com cardápio chato, prestes a ir pro estágio, precisando de uma leitura leve, pra não abusar da dor de cabeça que aparece nos dias chatos, mas, ao mesmo tempo, capaz de prender a atenção; alguma coisa divertida. Topei com esse livro que falava de um assassino muito desastrado. Um assassino profissional que esteve prestes a entrar pra história milhares de vezes, mas não conseguiu porque era estabanado. Tem tudo pra ser hilário, né?

Infelizmente, a impressão que eu tive foi que ele errou a dose em tudo. Na aventura do assassino, no humor do desastrado, na apresentação de fatos históricos. O modo como ele aparecia em todos os lugares, envolvido em tudo o que aconteceu de importante naquela data e lugar, vai ficando chato e forçado, assim como os desastres que acontecem com ele. Como tudo dá errado, não há surpresa. Até a ironia parece exagerada. Enfim, um enjoo.

Poderia ser ótimo, mas forçou a barra. Sabe aquelas comédias que ficam dizendo 'ria de mim, eu sou engraçado, olha que situação ridícula de engraçada!'? Enfim, quem tenta ser engraçado fica ridículo, não engraçado. Mas como tem quem goste do como é mesmo o nome daquele do youtube? Felipe Neto, o livro deve ter encontrado seu público. Mas, repito, muito aquém do humor encontrado no primeiro romance do autor. Esperando algo do nível, me decepcionei.

A história é sobre um sujeito que nasceu com um indicador a mais em cada mão e que, por isso, se acha destinado a ser assassino profissional. Filho de um anarquista, o rapaz é mais doido que o pai e vai para uma escola de assassinos onde aprende tudo sobre armas, venenos, bombas, enfim, toda espécie de engenharia mortífera. Sai dali destinado a matar grandes chefes de Estado totalitaristas e livrar os povos da opressão. Mas ele nunca consegue. Por vezes, o desacerto dele é acerto de outro, e o cidadão acaba morrendo de qualquer jeito.

O Jô repete aquela mistura de fatos verídicos com história fictícia. Começa pela morte de Francisco Ferdinando, passa pela morte de Jean Jaurès, a pandemia da gripe espanhola no Brasil, a máfia de Al Capone, o atentado contra Roosevelt, a Intentona Comunista, o Levante Integralista, até a morte de Getúlio, entre outros.

Extras

O exemplar que eu li veio da Biblioteca de Humanas, Educação e Artes da UFPR. (Aviso de utilidade pública: a biblioteca está fechando às 20h durante a greve. É, estamos em greve.) É a segunda edição, de 2000, capa azul. Pra idade que tem, está bem enxuto ;) O livro é o segundo romance de Jô Soares, publicado pela Companhia das Letras, em quase meio quilo de papel off-white de boa qualidade.

O esquema da diagramação é semelhante ao de O Xangô de Baker Street. Marcando as seções dentro dos capítulos temos desenhozinhos. O padrão é de bombas acesas, mas existem algumas partes em que elas combinam com o texto, com o desenho do trem quando ele estava no trem, do submarino quando estava no submarino, do barco quando... enfim, vocês já entenderam.

Eu não gostei do livro, mas pode ter sido pura implicância, ou vai ver que eu não estava mesmo com ares pra esse tipo de literatura. O livro tem bom conceito no Skoob. Pra quem quiser outra opinião, temos resenhas positivas do Vinicius Mahier (Recanto das Letras), outra de Daniel (Jazz e Rock).

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Se você me visse agora (Cecelia Aherns)

Fantástico. Divertido. Profundo. Engraçado. Emocionante. Belo. Cativante. Ri. Chorei. Senti.
Agora quero ver tudo isso em um filme!
As palavras clichezentas acima foram escritas a lápis na última página do livro tão logo terminei a leitura. Eu comecei com todos os preconceitos possíveis, tudo porque assisti P.S. Eu te amo em uma festa do pijama quando estava no terceiro ano do Ensino Médio e unanimemente afirmamos que poderíamos ter feito coisa melhor, como empapelar a casa de alguém ou brincar de verdade ou consequência, ou brincar de verdade ou consequência e, em razão disso, empapelar a casa de alguém. Ah, sim, Se você me visse agora é da mesma autora com cara de modelo francesa: Cecelia Ahern. (Sou a única que fala Cecélia pra não esquecer que são dois Es?)

A história é sobre Elizabeth, seu sobrinho Luke e o amigo imaginário invisível deles, Ivan. Essa é uma daquelas histórias em que já se sabe mais ou menos onde vamos chegar, só não se sabe como. Bem, Cecelia escreve romances e este É um romance entre Elizabeth e Ivan. Mas como?

Elizabeth é uma chata. Uma chata quadrada. Um cubículo. Uma adulta de verdade. Não há nenhum espaço em sua vida para subjetividades, imprevistos, novidades, surpresas, ou qualquer coisa feliz dessa vida. Elizabeth tem uma vida bege com superfícies impecavelmente limpas, mas armários completamente bagunçados por dentro, trancados a chave porque ela sabe que não conseguiria dar a volta por cima se as coisas fugissem completamente ao seu controle novamente. Ela não corre riscos.

Coisa-linda-que-
vontade-de-apertar!
Ivan... bom, quantos anos ele tem? Na minha cabeça, o Ivan é a cara daquele mocinho de De Repente 30 do Mark Ruffalo (se bem que eu acho que o Ivan tem olhos azuis.. como se Hollywood ligasse para as características físicas dos personagens, né?). Ele é fofo, engraçado, mistura a sinceridade espontânea de uma criança com a sabedoria de quem já viveu muito. Ele é a cor que estava faltando na vida de Elizabeth. E a cor é azul como o mar azul como no coração uma doce... Ivan é um amigo invisível profissional cuja missão é ensinar Elizabeth a viver e, de repente, aprender alguma coisa sobre a vida.

Além deles, temos Saoirse (tive que colar do livro pra escrever direito - a pronúncia é algo como 'sersha'), a irmã completamente maluca de Elizabeth, mãe do Luke, uma criança fofa, que é quem primeiro conhece Ivan. Luke é cuidado pela Elizabeth que, por defeito na parte imaginativa do cérebro, é incapaz de compreender o que é uma criança. Ainda, temos a sócia maluquete de Elizabeth, Poppy; Benjamin, o cliente que não toma banho; Joe, dono da única cafeteria de Baile na gCroite (é o nome do lugar. Esses irlandeses...), e os amigos de Ivan: Opal, Calendula, Bobby, Tommy, Olivia.

É a típica comédia romântica, com personagens muito bem construídos, com vida própria, com uma diferença básica de todas as comédias românticas do mundo: você não sabe como vai acabar. Quer dizer, dá pra ser feliz pra sempre com um amor invisível? Por que não? Essa é a grande descoberta da história. E não sou eu quem vai estragar isso.

Extras

O exemplar que eu li é meu mesmo. Ganhei da Ju-Fina-Flor no amigo secreto das Sisterchicks. Aliás, ô menina que sabe dar presente! Ganhei dois livros bem diferentes, mas que são, os dois, a minha cara. Amei!

No Brasil ele está no catálogo da Rocco (que, pelo preço dos livros, poderia ter um site melhorzinho, né?) A capa é bonita, daquelas que fazem muito sentido pra quem já leu e que deixam quem não leu cheio de perguntas. Infelizmente a capa descolou. Logo depois de ganhar o livro no Rio, viajei pra casa do meu namorado. Aí emprestei o livro e a pessoa resolveu usar as orelhas da capa como se fossem marcadores. Arrebentou com a capa e eu nem pude falar nada. Sabe aquela pessoa com quem a gente não deve se meter? Aquela, que começa com so e termina com ra? Pois é :/

Um minuto de silêncio, por favor.
Dá uma decepção também porque os livros da Rocco são caros e, se um livro é caro, a gente não espera tamanha fragilidade. Falando em qualidade, a tradução é quase ótima. Tirando uma 'a estrada sequer tinha nome, o que ela achava procedente' e um 'she knew better than' ao pé da letra, mais um ou dois erros de digitação. Apesar do papel ser branco, o estilo e o tamanho da fonte são agradáveis e os espaços são bem confortáveis para a leitura.

Foi confirmada a adaptação do enredo para o cinema, com Hugh Jackman no papel de Ivan. Por falar em adaptação, o título original é If you could see me now, traduzido literalmente na versão brasileira, mas nos Estados Unidos o nome é A Silver Lining. Oi? Pois é.

O livro pode ser comprado nas principais livrarias (menos na Cultura e na Fnac, pelo menos no site já esgotou) como Curitiba, Travessa, Saraiva, Submarino.Mais informações no site da Cecelia Ahern, na Wikipedia (em inglês) e no Skoob. Ah, claro, tem as citações no Tumblr. Divirtam-se e depois me contem ;)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Utopia

Essa noite sonhei com uma utopia. O mundo que eu sonhei era realmente utópico, eu chamaria de o "mundo das soluções fáceis". Nesse mundo não havia crimes porque existiam muitos policiais nas ruas. A polícia era desmilitarizada e respeitada pela população. Ah, e respeitava a população com a consciência de que existiam para cuidar daquelas pessoas, não pra outra coisa. As pessoas podiam andar pelas ruas escuras sem medo porque só pela ciência de que existiam muitos policiais cuidando da população, a criminalidade já se acuava.

A solução que eles encontraram foi bem simples. Prisões, muitas prisões. Sistema de repressão total. Jogou papel de bala no chão, 'teje' preso por crime ambiental. E assim a galera foi aprendendo a agir de forma legal e responsável, a não causar danos aos outros. Não havia necessidade de escolas porque as pessoas aprendiam na televisão tudo o que elas precisavam. E se não aprendessem, eram presas e aprendiam essas coisas na prisão. Quem saía dos presídios recebia uma carteira de habilitação para convivência em sociedade, obtida por quem fosse aprovado por uma equipe científica respeitada no mundo todo. (Não preciso dizer que ninguém saía antes de conseguir a habilitação, né?)

Ao sair das penitenciárias, as pessoas eram recebidas de braços abertos pela sociedade, afinal, os regressos voltavam a fazer parte da sociedade civil, aquelas pessoas que têm direitos e tudo mais. Essas pessoas contavam como era a vida nas prisões e as histórias se espalhavam por toda a população, em forma de fábulas para aterrorizar as crianças, evitando que essas desobedecessem a lei. Nesse mundo, o Ministério Público, por ser o acusador dos processos criminais, era sempre pro societate, e os criminosos, a partir das investigações, já não faziam parte da sociedade, afinal, não eram sociáveis.

Descobriram, no mundo das soluções fáceis, que a criminalidade é resultado de uma doença psiquiátrica (ou de um demônio, pra quem tem religião), que só se cura através da tortura. Daí a faca na caveira, sabe. Pelo bem dessas pessoas e da sociedade da qual elas, enquanto doentes, não fazem parte, elas são submetidas a sessões diárias de espancamento, até que retornem à consicência social (ou que o demônio saia daquele corpo que não lhe pertence).

Esse é o "mundo das soluções fáceis", porque todas elas já existem. Mas não solucionam ***** nenhuma. É utopia acreditar que internar o menor que foi surpreendido com arma de uso restrito vai resolver alguma coisa quando três anos depois ele sair do CENSE. Ou que pelo menos nesses três anos a retirada de circulação do adolescente é uma quase-solução. Matem-no! E depois encham a boca para falar dos direitos fundamentais da Constituição blablabla. Muita retórica pra quem ainda acredita no Direito Penal do Inimigo. Essas pessoas me fazem acreditar que os Jogos Vorazes se aproximam.

Eu busco algo melhor do que o Direito Penal. E eu acredito que o ECA é algo melhor que o Código Penal porque nele existem medidas mais coerentes pra quem se diz contra a pena de morte. Porque eu não acredito que alguém esteja perdido. Ainda mais alguém que não viveu nem duas décadas. Perdidos são aqueles que não têm esperança. Não acreditar é o primeiro passo para não fazer nada. E eu não vou me juntar aos que não fazem. Eu não me conformo e não vou me conformar nunca com essa "solução" ridícula que temos para a insegurança pública. Eu busco algo melhor e vou buscar enquanto esse algo melhor não acontecer. Eu vou mudar a história com quem quiser se juntar a mim. Sigam-me os bons.

Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo - árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz. (C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia: A Cadeira de Prata)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ei, Webjet, devolve o meu dinheiro!

Situações desesperadoras que pedem medidas desesperadas. Eu precisava viajar com minha família para ver o meu avô pela última vez, mas precisava voltar antes deles para trabalhar. Nós iríamos de carro, eu voltaria de avião. Por motivo até hoje desconhecido, eu não conseguia efetuar a compra online na Webjet e o preço Salvador-Curitiba nas férias de julho pra dali uma semana e meia era impossível nas outras companhias aéreas. Não que o preço da Webjet fosse bacana, só era menos impossível. Tive que comprar a passagem no balcão do aeroporto, em dinheiro.

Aconteceu que aquela foi mesmo a última vez que eu vi meu avô, e eu já estava em Salvador para pegar o avião no dia seguinte quando chegou a notícia. A primeira coisa que eu fiz: cancelar minha passagem no balcão da Webjet no aeroporto de Salvador e voltar pro interior com minha mãe. Ao explicar a situação, não recebi nem um sorriso de simpatia. Fui informada que não seria possível o reembolso ali, que eu teria que solicitar ao SAC, mas que, descontados cem reais pelo cancelamento, aquilo que eu paguei ficaria como crédito por até um ano.

Então, eu precisava ir ao Rio em janeiro. Que legal que pelo menos eu tinha esse crédito, né? Só que pra usar um crédito de uma passagem comprada no balcão da Webjet no aeroporto você precisa ir até o balcão com o localizador da passagem cancelada... e vai pagar os preços do balcão. Primeiro, você não tem muita ciência das opções, já que é a atendente quem realiza a operação no computador dela, cuja tela fica "de costas" pra você. Então, vai saber se aquele é o menor preço, né? Segundo, embora por telefone as atendentes cariocas da Webjet digam que os preços variam e pode ser que no aeroporto esteja mais barato, não está. Nunca está. E as promoções da internet nunca valem pra compra no balcão.

Daí que pra comprar passagens de ida e volta Curitiba-Rio com três meses de antecedência em dias promocionais eu gastaria quase o dobro do que paguei na passagem Salvador-Curitiba comprada em cima da hora pra viajar num sábado a tarde. E ainda tinham descontado cem reais. Se eu pudesse fazer a compra pela internet aproveitando os créditos que tinha, a Webjet ainda me deveria cem reais. É. E a raiva de ter que ir até o aeroporto de Curitiba que fica em São José e pegar três ônibus pra voltar pra casa sem a passagem?

Desisti desse negócio de reaproveitar os créditos e no dia 03 de março liguei para o SAC da Webjet e pedi o reembolso. Informei todos os dados pessoais e bancários e fui orientada a ligar novamente em cinco dias úteis para verificar se o reembolso fora aprovado. O prazo para o reembolso era de 40 dias... úteis. Em cinco dias eu liguei, fui atendida, tive que esperar na linha e, passado um certo tempo, a ligação caiu. Que coisa, não? Isso aconteceu mais duas vezes em que eu tentei me informar se o crédito fora aprovado, e as atendentes foram sempre muito delicadas e educadas, só que não.

No dia 09 de abril eu liguei de novo. Pedi informações sobre o reembolso e o atendente prontamente disse que ainda não tinha sido efetuado, mas que estava aprovado e eles ainda estavam dentro do prazo, que se encerraria na sexta-feira, dia 13. Aí eu aproveitava toda oportunidade para checar o saldo da conta e verificar que eles não depositaram. Nem no dia dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis... liguei. De fato, o prazo fora extrapolado. De fato, o reembolso estava aprovado. Não, a atendente não sabia porquê nem podia passar a linha para quem soubesse. Me passou o email da ouvidoria e só. A ouvidoria  deve ter só ouvidos e nenhuma boca, porque não me respondeu.

Eu já viajei três vezes de Webjet esse ano. A minha primeira viagem de avião foi com essa companhia. Eu já aguentei voo atrasado, comissária desrespeitosa, atendente que não sabe passar informação... já tive até a minha mala danificada e eu deixei passar. Agora já ultrapassou os limites da falta de respeito. Não voo mais de Webjet, nem por um real.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nesta data querida

Conheço pessoas que não gostam de fazer aniversários, que escondem a idade, pintam os cabelos, e que acreditam na etiqueta que diz que é indelicado perguntar a idade dos outros. Conheço pessoas que fazem contagem regressiva de 365 dias para o próprio aniversário. Conheço pessoas que, no dia do aniversário, têm vontade de escrever "aniversariante" na testa só para ganhar parabéns de todos que encontrar na rua. Conheço pessoas que simplesmente não comemoram os aniversários. Hoje é aniversário de uma delas.

Eu gosto dos aniversários. É o tipo de data simbólica mais importante de uma pessoa porque significa a sobrevivência. Fazer aniversário é um dom porque a vida, embora para alguns seja muito difícil, a vida ainda vale a pena. E a sobrevivência neste mundo cruel onde pessoas se matam por uma coxinha de frango é algo notável.



Ao aniversariante do dia, meus sinceros parabéns pela sobrevivência nestes vinte e três anos. Sua vida nunca foi fácil, mas você ainda está aí. Passou por mais este checkpoint. Eu lhe felicito não por obrigação social ou por achar oportuno lançar desejos vazios de significado sobre uma pessoa só porque ela tem uma nova idade, mas porque o admiro como vencedor de vinte e três batalhas. Com uma pequena exigência: que venham muitas outras vitórias e que eu esteja com você, mesmo quando as circunstâncias não estiverem em seu favor. Feliz ano novo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Uma Garota com Conteúdo (Esther Braga)

Nicole é uma garota com conteúdo. Ela é inteligente, tem assunto, gosta de ler, sabe como lidar com as palavras, mas... transforma a própria vida num dramalhão mexicano. Eu tentava me lembrar de quando tinha a idade dela e, claro, as coisas parecem muito maiores do que realmente são no início da adolescência. Mas não é pra tanto, mocinha! Até as coisas boas que acontecem com a Nicole são transformadas em tragédia quando chegam ao seu diário.

Adônis finge que é um menino rebelde. Se apresenta como o cara que não gosta de ninguém na escola porque é superior aos demais. E gosta de rock. No começo tudo o que ele faz é criticar o mau gosto alheio, comparando à sua grande capacidade mental e sensibilidade musical. Depois ele diz que não gosta de ler, conhece um cara famoso, faz amigos, monta uma banda, ele próprio fica famoso e se apaixona. E mostra como é incrivelmente burro. Burro! Burro! Seu burro! (Pronto, passou).

Apesar disso, o livro não é ruim. Não é ótimo (se a Nicole pegasse leve com o drama), mas também não é ruim (a burrice do Adônis é necessária, ou não haveria história). E não, ele não é burro-burro, os relatos históricos dele são interessantes e ele sabe escrever. Mas não enxerga o que está acontecendo na frente dele. Coisa de homem?

A história é cheia de referências da cultura pop (as que eu entendi eram quase todas envolvendo o Diário da Princesa - aliás, em matéria de drama, Nicole ganha da Mia com folga), o enredo, apesar do dramalhão, é leve, adolescente. Me incomodou um pouco a mudança drástica dos personagens do modo como eles foram apresentados no começo (tanto os 'autores' Nicole e Adônis como as pessoas a quem eles descreviam) e o seu comportamento no futuro. Muito destoante. A irmã da Nicole é o exemplo mais gritante. 

Ah, claro, como um romance adolescente não podem faltar umas pitadas de nonsense, como o final macarrônico e o fato de todo mundo se dar bem demaaaais nessa história. Aquelas coisas incríveis que acontecem nos filmes da Sabrina e de High School Musical, sabe? Acho que a Esther precisa continuar escrevendo, porque só assim ela vai chegar lá. Esse primeiro livro mostrou que ela tem potencial, mas ainda precisa escrever mais, mais, mais, mais. Dez mil horas, é o que dizem.

O exemplar foi emprestado pelo Felipe, que logo recebeu aquela pergunta que eu faço pra todo mundo que me empresta um livro: pode rabiscar? Quero dizer, não exatamente assim, que é pra pessoa não morrer do coração. A pergunta é "posso fazer anotações a lápis, bem de leve pra não marcar o papel?", bem cheia de dedos. Nos meus eu rabisco mesmo. A lápis, mas com menos discrição. 

Primeiro, porque eu vou marcando os erros de edição. Tradução mal feita, quando é o caso, ou palavra escrita errado, ou uma frase que não deu pra entender. Mas quase sempre é sobre a história mesmo. Eu marco partes engraçadas/tristes/profundas. E escrevo coisas como "tomar Coca Cola É viver perigosamente!" "Ah, vá! Ela acredita mesmo que inventou essa frase?" "Sua rídícula u.u" "BURRO!". Porque eu nunca lembro de colocar essas coisas no histórico do Skoob. Tem que ser na hora. E ler na frente do computador com o Skoob aberto cansa - e no ônibus é impossível (aham, eu escrevo no livro quando leio no ônibus. Em pé também).  Descobri que rabiscar o livro é viciante. Não que eu rabisque o livro de todo mundo. Eu sempre peço antes. E nunca rabisco os da biblioteca.

Ah, a capa do livro me intrigou por uma coisa: a Nicole não tem olhos castanhos? Por que na capa os olhos são verdes? E por que ela usa óculos? Eu tinha achado a capa suuuuper legal, tem orelhas, o acabamento é ótimo... até ver que não tem nada a ver com o livro. Porque, além de todo, a menina está sorrindo (#risadamaléfica). Os erros de edição foram poucos. Muito poucos se considerar que a editora não é daquelas grandes (eu não conhecia esse selo "Desfecho Romances").

O livro foi avaliado de duas até cinco estrelas no Skoob, então acho que depende mesmo de quem lê. O Felipe contou como foi o lançamento do livro e depois escreveu uma resenha. A Elisa, irmã da Esther, também escreveu uma resenha, e eu não queria estar no lugar dela. Ainda bem que eu acho que nenhum dos meus... ahhh, deixa pra lá. Pra que adiantar o sofrimento, não é mesmo? Quem quiser comprar (é um ótimo presente pra aquele aniversário de 15 anos da amiga da sua irmã) pode tentar na Livraria da Travessa ou direto com a Editora Multifoco.